23 de abril de 2010

 Algo bate àquela porta, mas nada era visto do outro lado. A escuridão da noite se espalhava e, com ela, a solidão urgia. Mas,o que será que havia ali? Esse talvez fosse o mistério, que tanto batia e assombrava, através da porta de Alice. Era ela quem não deixa entrar e o tempo estava passando. Uma hora ela abriria aquela porta.
 05 de Agosto de 2004. Era mais um dia normal para aquela menina, livros e aulas. Sua agenda era lotada, buscava ocupar seu tempo para não ter que abrir a porta, seria doloroso para ela. Ora, já estava acostumada, muda tudo só para saber o que havia por detrás daquilo, para ela não tinha lógica. E mais uma aula.
 Na semana seguinte, ao ligar a tevê e buscar algum noticiário, acabou assintindo à uma matéria em um jornal, no qual monstrava um país destroçado, devidos aos terromotos que havia "sofrido". Orfãos, famílias desintegradas, uma nação amedrontada, já que foi um grande desastre tudo aquilo. Fez nada de mais, desligou a tevê e foi ler algo que julgava mais importante; foi quando ouviu um "Toc-Toc". Foi aí que fechou a janela para que, talvez, não houvesse  mais insistência, não àquela hora.
 Sua mãe chegou, passou pela porta tão inexperiente e concedeu à filha um longo abraço de recompensa, por passar tanto tempo fora de casa. Mas, logo depois, só com a subida da mãe para o quarto, a porta fechará; talvez para nunca mais ser aberta.
 A mãe andava cansada, tomava anti-depressivos e ainda tinha a dor da separação. Um casamento de vinte e cincos anos, bodas ..., vieram grandes experiências e uma filha. Era complicado para J. a vida que levava, mas agora poderia mudar o enredo e passar por "menos" sofrimento.
 Passaram-se duas semanas. Constantes desmaios e a disposição para as tarefas mais simples já não era a mesma. Os gatos miavam do outro lado da porta, estavam com fome. E a mãe certa de uma sede, que a filha não poderia fazer cessar. Um beijo na testa e pediu à Deus que a protegesse. A mãe morrerá por excesso de medicamentos, uns trinta comprimidos por dia, e acreditava que nada mais poderia ser feito ...
 Agora sozinha, talvez os gatos poderiam ser alimentados neste instante.
 Os primeiros meses foram difíceis, tinha a aposentadoria da mãe, e sabia que não poderia viver sempre daquilo. Então, decidiu pular a janela.
 Em um golpe de sorte e incertezas, por fim, abriu a bendita porta. E não mais restou a vontade de deixar tudo e todos de lado, por mais que tenha sido um pouco tarde, não tardou o suficiente para o seu fim.
 Agora já não se batia, todos poderiam estar ali. Porque ela abriu a porta do seu coração.

2 comentários:

Marcela Santos disse...

Outra menina mórbida...

Amanda disse...

Gostei *__*